Produção e Realização Artística

Produção e Realização Artística
Produção e Realização Artística: Programa de Pós-Graduação em Artes, Instituto das Artes da Universidade de Brasília - Prof. Marcus Mota

quarta-feira, 3 de maio de 2017

Colocação autoral e recepção colaborativa

Uma utopia produtiva



Uma das convicções primordiais que resultam da pesquisa que venho desenvolvendo nos últimos anos prende-se com o papel da manifestação de alteridade nos processos de colaboração entre compositores e coreógrafos. Esta experiência dual de colaboração desvela as suas virtualidades na medida em que a aproximação ao outro se constrói no próprio processo de edificação da obra, criando um plano de imanência em que a mútua implicação das series divergentes do pensamento musical e coreográfico se vão interpenetrando e gerando um território particular de invenção e operacionalidade. Este caminho me sugeriu uma utopia tão fantasiosa como produtiva, a ideia de que o grau máximo de intensidade colaborativa se poderá atingir quando a experiencia de colaboração dotar o coreógrafo da capacidade de compor a música e, do mesmo modo, dotar o compositor da capacidade de produzir o movimento. Nesse horizonte se poderá vislumbrar uma posse comum sobre os destinos da obra, uma compreensão absoluta sobre a irredutível unicidade do objeto corográfico-musical no que respeita aos gestos da sua composição.

Com esta peça me desafio a experimentar essa utopia, assumindo o duplo papel de compositor musical e de coreógrafo. Ela sucede a uma experiencia recente de colaboração com a corógrafa portuguesa Clara Andermatt, no âmbito da qual foram explorados no terreno os principais eixos do quadro conceitual que a pesquisa foi delineando. Os resultados, superando as melhores expectativas, revelaram uma efetividade transformadora significativa, incidindo não só na qualidade performativa e musical da obra como, de modo muito vincado, na expansão operativa das minhas habilidades musicais, colocando-me de modo continuado na aferição da consequência coreográfica do meu engenho composicional. Com a “Umidade das Almas” mergulho com maior profundidade na interrogação da alteridade, descobrindo a minha identidade criativa no território do movimento, perseguindo sua consistência na minha operatividade musical e na minha experiencia autobiográfica de colaboração.

Para além das revelações conceituais e estéticas que o presente processo já desvelou e das que, acredito, aguardam desvelamento, uma consideração se destaca pela sua produtividade: existe, no processo de criação coreográfica, uma espécie de efeito boomerang que orienta o meu pensamento musical e que incide de forma assertiva em estratégias composicionais que me são íntimas, sendo, a própria invenção de movimento resultante de uma lógica criativa diretamente tributária desse mesmo pensamento. Fica aqui em aberto o desenvolvimento de tais aferições, futuramente transportando para o conceito de alteridade as ponderações consequentes desta esquizofrenia empírica.


Recepção de Giselle Rodrigues:


Querido, que lindo sua escrita e tb a performance. Gostei muito da ideia. Instigante. Tive algumas viagens coreográficas sonoras. A qualidade da movimentação é muito atraente e nos prende, a partir do minuto 6 poderias explorar algumas possibilidades que listo aqui:

- algum momento, o derretimento de um corpo para o chão, sem contudo perder o contato da mão com a mesa, assim poderiam explorar outro plano
- também outra possibilidade seria explorar uma vocalidade. Há momentos que vocês se jogam para trás com a boca aberta. Fiquei curiosa de ver isso se desdobrar para uma sonoridade vocal meio distorcida, pois para mim, os dois corpos parecem estar num conflito e desejo de dizer algo, mas algo que nunca chega a sua completude (bem, viagem da minha cabeça). Dessa forma, isso poderia ser radicalizado. Não sei! Não precisa de muito coisa, mas aparecer uma pequena sonoridade vocal poderia ser interessante.
- outra coisa que fiquei pensando, é que vcs usam as mãos sempre para se tocar as notas musicais, e se isso fosse, em algum momento, extrapolado para além dos dedos, apenas com uma modificação, ou exploração dos movimentos das mãos, em algum momento subverter essa lógica. Acho muito interessante a ideia do pendulo, do ritmo do movimento, da qualidade arrastada dos corpos, do minimalismo e da repetição, então estas possibilidades que sugeri poderiam vir de forma sucinta, sem necessariamente quebrar demais essa estrutura que você propõe.

Não conheço a história de Heraclito, mas imagino que vc tenha que fazer um diálogo com isso, e não sei se minhas sugestões, de alguma forma, desvirtuam o sentido que vc quer dar. Então minhas sugestões também dependem desse contexto. Acho sempre difícil falar assim meio no escuro, e as sugestões aparecem segundo minhas impressões gerais da composição. Se quiser, um dia podemos marcar de eu assistir, dependendo da hora que vcs ensaiam. Mas acho que está indo muito bem! Adorei!
Adorei vê-lo performando! A Erica já conhecia e a acho maravilhosa como bailarina.
Parabéns, siga em frente, como musico e coreógrafo

Recepção de César Lignelli


1.      Pernas e pés (movimentação indireta e leve)
2.      Movimentos pequenos/finos Erica
3.      Consonância/simetria – marcar
4.      Pensar os dedos Erica ao tocar as notas (desde o ombro)
5.      Pensar as minhas mãos fora do teclado com a qualidade do toque no piano
6.      Braços de Erica – explorar círculos mais amplos nos arpejos finais.
7.      Pesquisar Tim Rescala

Recepção de Lígia Soares


 Querido príncipe, aqui vão as minhas notas assim ainda num relance de primeiro visionamento, mas já cheia de vontade de ver mais

Claro que é mesmo muito boa a ideia duas pessoas frente a frente numa espécie de conversa à mesa mediada pela música e pelo corpo. Parece-me que estas (a mesa e a música) são tanto uma forma de comunicação como um obstáculo aos dois corpos. O que me parece difícil de apontar (e talvez seja interessante discutirem) é o que é que é mais pessoa, o que é o estado que alguém que afeta e de alguém ou alguma coisa que é afetada e de criar uma perspectiva para essa alternância.

O que vem mais da identidade desses corpos e ações que estão presentes? O corpo ou a música?

Vocês são mais vocês no silêncio e depois a música afasta-vos de vós mesmo e transporta-vos separando-vos do momento presente?

É quando se olham que estão a comunicar e quando se movem perdem a relação entre vocês, consciente e humana, para se relacionarem através da música e se tornarem corpos dançantes, sujeitos a outras leis que não as de estarmos sentados à mesa a conversar?

Bom, estas perguntas não têm interesse nenhum no sentido de se lhes dar uma resposta, mas acho que fazê-las perante o material que estão a criar pode vir a clarificar alguns desenvolvimentos.
Ah... já agora olha aqui para estes dois que também são bastante inspiradores à mesa:
(Um gesto que não passa de uma ameaça -Sofia Dias e Vítor Roriz)

Em relação à descrição que enviaste e que achei mesmo muito linda porque és mesmo tu a pensares e a arriscares e a deslumbrares e a estar deslumbrado (na melhor acepção da palavra) e a nutrires-te a ti e às coisas pelo amor e pela clareza com que fazes as tuas observações, o que posso acrescentar é que, como projeto, talvez falte algum fator mais ativo que a ativa apreensão de um fenómeno. Como dizer, talvez precises de pensar o que é que essa alteridade produz para além de si mesma (tipo que dramaturgia, representa o quê para além de si própria?). Isto como exercício poderia ser: se esta alteridade fosse uma coisa que não fosse nada interessante em si, para que é que a usaria? Em que é que ela me pode servir como ferramenta para construir uma linguagem? E assim poderás talvez encontrar uma direção mais abrangente para a construção da peça e que saia fora daquilo que já observaste e já encontraste.
Isto parece um bocado escolar... mas foi o que me pareceu que faltava encontrar na descrição...

Agora do vídeo vai em lista cronológica a anotação dos meus pensamentos:

- Que saudades...estás bem lindinho e que postura!
- A utilização da lentidão tipo câmara lenta pode ainda ter pensadas as dinâmicas entre o toque (tocar piano, tocar a nota) poder ser um gesto concreto, afirmado na velocidade do tempo real e então o seu efeito no corpo ser como uma nota prolongada e lenta, uma reverberação ou um eco.
- Usarem mais conscientemente os olhares entre vocês os dois, ou mesmo experimentarem dançar a primeira parte toda olhando-se e enfrentando-se, como se fosse mais entre vocês e não sobre a imagem que produzem
- É muito bonito quando a Erica te pega no braço e a música fica só nas notas de uma mão no piano.
- Poderiam explorar mais a fisicalidade desse agarrar porque parece estar mais intenso no olhar e menos aproveitado no corpo, sendo que poderia ser um afastar fatal, um braço de ferro, o associar o som que se ouve ao atrito de uma mão no braço  (enfim, talvez um dado mais concretizado ajudasse a esse momento)
- Aqui no início ainda questiono a necessidade de haver uma mesa. Penso que seria mais interessante estarem sentados frente a frente e usarem o próprio corpo ou o do outro para tocarem, as próprias pernas, os joelhos, o braço do outro, o ar sendo que o movimento dos dedos ficava mais coreográfico e menos a transpor o objecto-mesa para o objecto-piano
- Em relação à parte da alternância entre vocês, em que olham para cima estendendo o peito para cima e trás. Levanto muitas questões que podem vir a nutrir a coisa, pode ser?
- É como se o som saísse das vossas bocas? Juntamente com o movimento dos dedos, às vezes parece que têm um diálogo quando olham para cima, porque é neste momento que sai som. Assim como se se tornassem num ser vegetativo, um fenómeno natural, uma anémona falante, ou na própria agitação marítima ou florestal, alguma coisa que é remetida para o silêncio quando se olham de frente e que se manifesta quando o corpo se altera.
A origem da música e do movimento é sempre uma questão e talvez pudessem tornar mais autónomos estes materiais, isto é, tentar que não associemos sistematicamente a origem da música aos vossos dedos. Às vezes o movimento já poderia lá estar e a música ser uma consequência distante, ou então nem chegar a aparecer.
Existe outra diferença significativa entre vocês: os dedos do João tocam piano, os dedos da Érica tocam samples. É intencional? Eu acho que a Érica se podia libertar dessa função, ou então usar os dedos da mesma forma interessante e complexa que tocar piano apresenta, mas com uma função meramente coreográfica ou relacional contigo (assim como se ela não distinguisse o movimento útil do dedilhar do piano, do movimento artístico da dança).
A imagem de tocar a olhar para cima é mesmo muito boa. Esta sugeriu-me as hipóteses de criar novos planos para o corpo. Assim como se se rebatesse um plano em geometria. O plano da mesa tornar-se-ia vertical e os dedos tocariam no ar enquanto as cabeças olham o céu. Tudo se ergue e tudo se deita... pode ser bonito

E agora umas notas totalmente banais:

E se fossem dois bancos de piano?
E se a Érica se associasse também ao piano de forma a este ter uma relação mais aberta com o movimento?
E se experimentassem a Érica fazer uma improvisação na mesa, sem música, mas com ela a inventar uma música com o corpo, que observas e para a qual tens de resolver uma composição como se fosse um problema de justificação de uma loucura sobre a mesa. Algo que tu podes ajudar a conter, a significar...
E se mostrassem mais o processo, como se dele fizesse parte um diálogo mesmo, uma conversa à mesa, uma sessão de trabalho?
Por um lado pode parecer datado, por outro lado acho que seria mais produtivo porque teriam de sistematizar mais exercícios que vos confrontassem com a natureza dos materiais e essa discussão pode ser interessante.
Assim, parece que está já um bocadinho resolvido, porque está já a encontrar uma forma de ilustrar (pela ausência do piano) uma relação entre a música e o movimento e através do efeito sonoro sobre o gesto.

Ui e agora estou a chegar à hora do soninho...

Oh pá, agora ia ver outra vez o vídeo e ficava para aqui a trabalhar, mas as galinhas chamam-me

lavius e mais lavius

Lígia


Recepção de Andresa Soares


Queridíssimo:
[...]
Entretanto derreti-me a ver a tua dança! E tudo faz muito sentido nessa hibridez que na verdade é muito mais a natureza de curiosos como tu... O dispositivo é lindo e funciona! Por isso a seguir é explorarem-lhe os limites e depois perceberem o que é que querem contar com ele. Relativamente ao que vi não sei falar do movimento sem falar da música ou vice-versa. O que sobressai é uma relação. Duas pessoas a uma mesa em tudo o que possa ter de mais abstrato ou alusivo a dois seres que falam, que se confrontam. Talvez pudessem olhar para a dramaturgia da coisa como uma simples conversa entre duas pessoas (com articulações diferentes) sendo que ressalta também, pelo som e movimento, o estado ou conversa interna "sob influência". E depois de explorar o "óbvio" - no sentido de que é a conotação que surge imediatamente da situação - criar disrupções, tirar o tapete, criar variações. Tornar mais abstrato ou pela perda de relação um com o outro, ou pela simplificação formal ou mesmo pelo exagero na relação... não sei.
Vou pensar de um modo mais articulado amanhã depois de dormir. Hoje deixo-te o diálogo entre vocês os dois que escrevi a ver o vídeo para me/nos divertir!!!
e beijo-te!
(tu estás em Caps!)

AIII
O que é isto
PIM
Ah... refrescante... borrifo-me contigo
DÓI-ME
A dor é silenciosa. Ouve. É uma carícia de humanidade para uma consequência alheia. Fala devagar e ouve como a tua dor me faz umas cocegas agradáveis
ERA O QUE FALTAVA
NASCI COM ESTES DEDOS PARA TOCAR PIANO
A MINHA DOR NÃO É PARA TE ACARICIAR MAS PARA AMEDRONTAR A TUA JOVEM EXISTÊNCIA
TOMA LÁ DISTO E CHORA, CHORA, CRESCE. CRESCE POR MIM.
Agarrei-te quero a tua dor para me esfregar as costas. Para conhecer os contornos do meu corpo recente e me desfazer dos pontos negros que não vejo
EU NÃO ME CALO.  EU NÃO ME CALO. AS MINHAS NERVURAS SÃO MAIS QUE MUITAS. SONS AGUDOS. CHIADEIRA. A SINUOSIDADE DOS CAMINHOS PEDREGOSOS.
.... OH! SUAVIDADE. OUVE. OUVE. UMA AUTO-ESTRADA A DIREITO ATÉ AO PONTO DE FUGA. FUTURO SEM HORIZONTE. JÁ ME SINTO MELHOR
Enquanto me torno agora fujo. É tão fácil, basta um olhar sem palavras. Aprendi isto à nascença. Mas no momento de largar hesito sempre. Penduro-me e, naturalmente caio.
AI QUE EU CAIO AI QUE EU CAIO. MAS DEIXO-ME ESTAR.
PRONTO. CAÍMOS OS DOIS.  PODEMOS ENTÃO COMEÇAR A CONVERSA. JÁ TEMOS CHÃO.
Assim de repente queria beber algo fresco para gargarejá-lo
EU QUANDO ABRO A BOCA SÓ ME SAEM HISTÓRIAS.
Mas posso simplesmente transformar o ar que entra em mim.
EU CÁ PREFERIA QUE ME OUVISSES
SHHHHH... cala-te para que te ouça
VOU ATIRAR-TE AS PALAVRAS MAIS DE TRÁS PARA APANHAR BALANÇO. CONSTRUIR O PENDULO PARA A NOSSA EXISTÊNCIA.
Ouve tu o meu cascalho a rolar na água que agitaste
VOU FAZÊ-LO ROLAR. MAS NÃO ME SINTO AGITADO. NÃO FUI EU.
Anda
UM, DOIS, NO TRÊS É PARA SEMPRE.
Acabou. Que cansativa a eternidade... não sei como consegues.
TODOS OS DIAS MORRO. PUM
Hoje achei que não o farias. PIM
CRUCIFIQUEI-ME PARA NÃO POR OS PÉS NO CHÃO.
Fizeste bem. Mas esse vento...
TROVOADA
Essa tempestade
RELÂMPAGO
Cansa-me... não devia ser ao contrário? Luz/som. Quero dormir.
SOU UM METEORITO
O teu impacto ergueu-me. Fez-me levantar. Não sei se nos voltaremos a ver.
O QUÊ? O QUÊ? TU ÉS O EFEITO DA NATUREZA QUE CRIEI PARA TI! VAIS-TE E ESTREMEÇO. FICAS E TREMOÇO.
Já pagaste os cafés?
NÃO. BEBIA AINDA UMA IMPERIAL. GOSTO DE TE VER EMBRIAGADA.
Já demos tantas voltas juntos e nunca saímos desta mesa.
OS MELHORES PASSEIOS SÃO À MESA. APOIO AS MÃO OS DEDOS E OS COTOVELOS.
Gosto que apoies grandes causas.
SEMPRE APOIEI AS CAUSAS NUNCA AS CONSEQUÊNCIAS.
Mas chamas-me efeito...
O TEU EFEITO É A MINHA CAUSA. DE RESTO NÃO ME INTERESSAS. PREFIRO AS HISTÓRIAS QUE HABITO NA PONTA DOS DEDOS
Isso doeu-me. Dói-me! Que bom... que dignidade.
A DIGNIDADE VEM COM O TEMPO. A CONSEQUÊNCIA DE UM BELISCÃO NÃO TEM DIGNIDADE.
Podia ficar aqui para sempre a ouvir essa nota.
UM ÚNICO GOLPE NÃO ESCULPE OS TEUS CONTORNOS, CRIANÇA...

Pendurei-me nessa nota para sempre. Já não ouço mais nada. Obrigada.


Comentário de Érica Bianco (05/05/17)

Transcrição de mensagem de voz gravada no aplicativo WhatsApp


- Oi João, acabei de ver aqui um relato da, como ela se chama, da Andrea (Andresa Soares), nossa é muito bacana, muito bacana mesmo. Eu fiquei pensando, de repente, esse texto pode ser entregue na saída das pessoas, deixar as pessoas igual foi com a gente, a gente já tinha a performance e esse texto veio depois e a gente conseguiu fazer todas essas associações. São incríveis, né? Pensa nisso, de a gente mostrar a performance e, quando acabar a performance, a gente distribuir esse texto, ou alguém distribuir esse texto para as pessoas lerem depois. Também é uma forma de, depois que acabou a performance, elas estarem com uma memória do que foi, não está lá mais, é a presença da ausência, literalmente. E daí você vai ativando a memória do que foi a partir desse material, pode ser uma experiencia interessante para as pessoas, para o público, não sei...a gente podia experimentar isso com os colegas, sabe? Um dia fazer um ensaio pra eles e depois entregar esse texto e ver a recepção dos colegas, ver como é que é...tá? Mas gostei muito, nossa, tá ficando muito interessante, eu tô achando muito legal esses contatos que você tem, esses feedbacks, agradeça a todos por mim, tá? Beijo grande.

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